Homens que rezam Portal do Regional Sul 1 da CNBB

Foto por Vanderlei Longo em Pexels.com

O terço na mão e no coração dos homens

Surgido espontaneamente por todo o Brasil, por dioceses e em alguns regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Terço dos Homens, um movimento de leigos, tem o intuito de reunir homens para rezarem o terço pela santificação das próprias famílias e servindo a igreja local, em comunhão com os demais serviços e pastorais.

O portal do Regional Sul 1 da CNBB conversou com o assessor Nacional do Terço dos Homens Mãe e Rainha, padre Vandemir José Meister, e diretor Nacional do Movimento Apostólico de Schoenstatt, para entender como está articulada essa iniciativa vinculada ao Movimento Apostólico de Schoenstatt, e como este trabalho se abre a maiores possibilidades de ações comunitárias. “Os Grupos do Terço têm trazido propostas dinamizadoras para as comunidades. Organizando peregrinações, procissões, reformas dos espaços comuns, ajudas sociais aos mais necessitados, entre outas ações”. Confira a entrevista completa:

Padre, fale-nos um pouco sobre a origem do Terço dos Homens?
O Terço dos Homens, ou melhor, grupos de homens que rezam o terço não é novidade na história da Igreja. No centro europeu, na idade média e moderna, existiram grupos de homens rezando o terço. No Brasil, logo no início, missionários, mais especificamente em Pernambuco, organizaram os primeiros grupos de homens rezando o terço, chamado Terço dos Homens Pretos. Eram os escravos, que ao findar o dia, eram reunidos pelos missionários para a recitação desta oração. Em conversas com Dom Gil Antonio Moreira, Arcebispo de Juiz de Fora (MG), ele comentou que em seus estudos sobre a piedade mineira, lembra de ter encontrado escritos sobre este fenômeno. O Servo de Deus João Luiz Pozzobon, que começou com a Campanha da Mãe Peregrina, também criou um grupo de homens rezando do terço, mas não perdurou por muito tempo. Houve diversas iniciativas na história.

O que temos agora, no acontecer da história da Igreja no Brasil, é uma nova irrupção da ação do Espírito Santo. Com uma iniciativa de um grupo, foi crescendo e conquistando cada vez mais outras regiões do Brasil, e que hoje podemos dizer que já está presente em todos os regionais da CNBB. O crescimento atual do Terço dos Homens teve início da década de 90, mais precisamente entre 1994-1995 quando um grupo de homens se reunia junto a Mãe Peregrina (Mãe Rainha) em Maceió – (AL). Esta iniciativa foi levada por uma senhora missionária da Mãe Peregrina, chamada Sra. Oneida Araújo da Silva até sua comunidade paroquial em Jaboatão dos Guararapes – (PE), que convidou um grupo de homens para rezar periodicamente o terço. Este grupo sob a coordenação do Sr. Antônio Santos levou quase 2 anos para dar início a iniciativa apresentada por tal senhora, iniciado em 05 de março de 1997 com um grupo de 15 homens rezando o terço. O padre José Pontes acompanha o trabalho dos missionários da Mãe Peregrina. Essa iniciativa leva um grupo de homens para o Santuário da Mãe Rainha para rezar o terço em oferecimento à Ela, no mês de maio. Sob a liderança do Sr. Antonio Medeiros Costa Filho reúnem-se 12 homens e rezam o Terço. Este grupo organizou um Manual do Terço, com elementos da espiritualidade da Mãe Rainha. Não era somente a recitação do terço, mais organizaram uma liturgia própria para o momento que se encontravam os homens para a recitação do terço.

Pe. Vandemir como compreender a expansão dos Grupos do Terço nas diversas regiões do Brasil?
Para compreender essa expansão temos que considerar algumas dinâmicas.

Primeiro, a dinâmica da ação do Espírito Santo. Não existia nada pensado, nada planejado. Então podemos dizer que os homens não tinham planejado, mas estava planejado nos planos de Deus, que ocorresse um grande movimento de homens rezando o terço do Brasil.

Segundo, aquele grupo de homens no Santuário da Mãe Rainha elaborou algumas dinâmicas com criatividade interessante. Elaboraram um Manual com uma mística, cada homem que vinha se comprometia em trazer um amigo para o encontro na semana seguinte, e a implantação de novos grupos nas capelas e paróquias segundo o mesmo manual.

Terceiro, os agentes missionários: Os meios de comunicação, especialmente a TV, veicularam várias reportagens deste grupo de Homens rezando o Terço no Santuário da Mãe Rainha. Também homens concretos que saiam implantando novos grupos. Dois sacerdotes (Pe. Miguel Lencastre e Pe. Antônio Maria Borges) entusiasmados com os grupos dedicaram-se a viajar, difundir e implantar novos grupos em outras regiões. E a própria pastoral da Mãe Peregrina nas paróquias abriu campo para a expansão dos grupos em todas as regiões do Brasil.

Com o tempo foram nascendo grupos que se espelhavam nos acima mencionados e foram tendo iniciativas próprias, e o resultando foi o crescimento Brasil afora.

Atualmente esse movimento está articulado a nível Regional (estado de São Paulo)?
O ‘Terço dos Homens Mãe Rainha’ se organiza segundo a estrutura dos Regionais da CNBB e das dioceses. Em cada regional tem uma coordenação de leigos que ajuda na dinâmica da pastoral do Terço dos Homens. Ainda está sendo um desafio a constituição e articulação destas coordenações de leigos nos Regionais, mas em  Alguns já estão constituídas. Uma das dificuldades é o tamanho geográfico de alguns regionais. Temos o desafio de articular, a partir dos grupos diocesanos do Terço dos Homens, a coordenação Regional. No Regional Sul 1 estamos trabalhando nesta articulação.

Foto por Cleyder Duque em Pexels.com

Que dinâmica importante trouxe para a Igreja os grupos do Terço dos Homens?
Nesta iniciativa, que é mais de Deus do que dos homens, nós somos apenas instrumentos, e trouxe uma nova dinâmica para a Igreja.

Primeiramente, a presença masculina dentro da Igreja. Os homens mal participavam da santa missa dominical. Agora temos uma pastoral com uma vitalidade própria trazendo os homens para a Igreja através dos Grupos do Terço.

Segundo, poderíamos dizer que é uma porta de conversão. Homens aproximando-se novamente da Igreja através do Terço. Desta forma, há muitos homens voltando a frequentar os sacramentos e à participação ativa na Igreja.

Terceiro, trata-se de uma contribuição ativa para as comunidades paroquiais, onde os homens estão assumindo responsabilidades nas iniciativas comunitárias. Isto é fundamental, pois os homens se sentem úteis e ali eles dedicam suas forças. Muitos párocos estão contentíssimos com a presença masculina em suas comunidades, pois abre-se uma maior possibilidades de ações comunitárias.

Quarto, os próprios Grupos do Terço têm trazido propostas dinamizadoras para as comunidades. Organizando peregrinações, procissões, reformas dos espaços comuns, ajudas sociais aos mais necessitados, homens envolvendo-se com a música religiosa, entre outras.

Oração do Terço dos Homens

Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes
Admirável!
Mãe do Salvador e nossa Mãe!
Com o Terço na mão, peregrinamos com
alegria ao teu Santuário.
Tudo o que somos e temos, te oferecemos
como dons para o Capital de Graças.
Inspira nossos gestos, atitudes e palavras,
e o jeito certo de servir e amar.
Mãe do Rosário, cuida de todas as nossas
necessidades.
A nós, homens do Terço, ajuda-nos
a conduzir nossas famílias no amor a
Cristo e à Igreja.
Acolhe-nos, transforma-nos e envia-nos
como teus missionários. Amém.

SECRETARÍA NACIONAL DO TERÇO DOS HOMENS
Rua José Dias Raposo, 914
Bairro: Ouro Preto, Morro do Peludo
CEP: 53.370-420 – Olinda/PE – Brasil
Fone: (81) 3011-5436, (81) 3439-7066, (81) 99842-1119
Site Oficial: http://www.tercodoshomens.org.br

Pleito Eleitoral

A Secretaria Nacional do Terço dos Homens tem as seguintes considerações sobre os pleitos eleitorais, já publicados no livro: “Orientações Gerais e Pastorais para o Terço dos Homens. – 60 Perguntas.” pág 59.

Como agir no tempo de movimentação política civil?

1. Todos os homens do Terço têm o compromisso de estarem envolvidos como cristãos, a darem suas contribuições na construção da cidade, do estado e do país. Uma das maneiras é elegendo nossos representantes para os cargos públicos.

2. O grupo do Terço dos homens, não apoia nenhum partido político. Deixa livre para que cada participante faça sua opção. Assim, os grupos não são instrumentalizados por um partido, ou por uma pessoa. Isso não invalida que membros do grupo não possam se candidatar. Pelo contrário, promovemos que o façam, mas que não instrumentalizem o grupo em exclusivo benefício próprio, mantendo assim a diversidade de escolha e opiniões.

3. Em momentos de pleitos eleitorais, seja municipal, estadual ou nacional, caso algum membro da coordenação seja candidato, este deixa a coordenação até encerrar o pleito eleitoral, quando houver a primeira publicação, seja ela verbal ou por escrita. Caso seja eleita para um cargo público, a pessoa deixará a coordenação.

4. Importante é não misturar partidarismo político com o Terço dos Homens. Deve haver o cuidado de preservar a unidade do Terço em momentos de movimentação política.

Secretaria Nacional do Terço dos Homens Mãe Rainha. Olinda / PE. http://www.tercodoshomens.org.br

60 Perguntas – RESPONDENDO AO TERÇO DOS HOMENS

Qual é o carisma, a missão e o objetivo dos Homens do Terço?
Qual é a espiritualidade específica do Terço dos Homens Mãe Rainha?

Repórter Karen Bueno – Se você já se fez essas perguntas, ou tem outras dúvidas, este recém-lançado livro pode te ajudar.

“60 Perguntas – Terço dos Homens Mãe Rainha” traz as orientações gerais e pastorais para os grupos do Terço, ligados à espiritualidade de Schoenstatt, em todo o Brasil.

O assessor nacional, Pe. Vandemir Jozoé Meister explica que “este material foi concebido em forma de perguntas porque nasce de uma necessidade da vida diária dos coordenadores e membros do Terço dos Homens”.

Como ele foi preparado? “Essas perguntas, advindo de necessidades práticas e de esclarecimentos, foram colhidas de norte a sul, leste a oeste do Brasil”, diz o Pe. Vandemir.

As questões colocadas no livro abrangem dúvidas e informações sobre a espiritualidade, a estrutura, as orientações gerais para o THMR. “Este material não quer esgotar as perguntas, mas, com as respostas, dar uma pequena orientação para a caminhada do Terço dos Homens que se enraíza nas paróquias e comunidades deste nosso ‘plurigrandioso’ Brasil”, indica o assessor nacional.

Karen Bueno / http://www.schoenstatt.org.br

Como adquirir?

Secretaria Nacional do Terço dos Homens (81) 3011-5436 / (81) 9.9842-1119 / secretarianacional@tercodoshomens.org.br

Ou através dos Emails que correspondem os seguintes estados:

tercodoshomenssecretaria01@gmail.com (Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Ceará, Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Piauí, Maranhão, Acre, Rondônia)

tercodoshomenssecretaria@gmail.com (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Distrito Federal, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul)

tercodoshomenssecretaria02@gmail.com (Paraná)

tercodoshomenssecretaria03@gmail.com (Santa Catarina e Rio Grande do Sul)

Santuários da Mãe Rainha no Brasil (veja os endereços e contatos)

A força de um símbolo

A foto do carro de um fiel frequentador do Terço dos Homens, na diocese de Patos PB, o Sr. Estevam Netto, viralizou nos grupos do Terço dos Homens Brasil afora.

A pergunta é porquê se tornou tão notória a foto. Será por ser um fusquinha antigo, ou pela customização com o símbolo do Terço dos Homens?

Percebemos que é um símbolo que tem uma força de comunicação do que ele representa em si mesmo.

A logomarca do Terço dos Homens pertence primeiramente a categoria dos símbolos. O símbolo é um conjunto de elementos que servem para representar outros. Para compreender uma simbologia é necessário primeiramente compreender um símbolo.  Existe um ditado popular árabe que assim se expressa: “Se não entende um olhar, muito menos entenderá toda uma explicação.” Faz-se necessário dedicar tempo para criar uma empatia com o símbolo e assim compreender toda sua simbologia. Sem o ‘em pathos,’ – (paixão com a paixão do símbolo) não compreende-se o significado; e por fim, não compreende-se toda uma explicação.

A logomarca do Terço dos Homens, símbolo constituído pelo rosário em forma do Brasil, tendo no seu interior a imagem de Nossa Senhora, segurando seu Filho, quem nos salva, conhecido na Igreja com o título de Mãe Rainha, Três Vezes Admirável de Schoenstatt, tem uma força visual muito atrativa e cativante. Primeiramente pela força significante que tem uma mãe segurando seu filho e ambos olhando firmemente para frente, num ato interpelativo para quem os observa. Segundo, pelas cores que ambas as imagens usam. Um menino usando branco, simboliza a inocência, o imaculado, o puro e transparente. O mesmo branco é usado pela mulher com o mesmo sentido, ademais, tem mais duas cores: azul e vermelho. O azul significa tranquilidade, serenidade e harmonia. Simboliza a água, o céu e o infinito. É a cor da realeza. O vermelho  significa paixão, energia e excitação. É uma cor quente. O vermelho é a cor do elemento fogo, do sangue e do coração humano. Simboliza a chama que mantém vivo os sentimentos de amor e paixão. Religiosamente falando simboliza o Espírito Santo, como também a cor do sangue derramado pelos mártires.

A Mãe Rainha, com seu filho nos braços, adornado pelo rosário tendo a Cruz da Unidade que é início e fim do rosário formando o mapa do Brasil, tem uma força evangelizadora visual de enorme repercussão na alma de quem os observa. Nossa Senhora é cativante e o fiel se aproxima dela denotadamente como filho/a sem questionar-se interiormente pela pertença. Ela acolhe somente com seu olhar penetrante e interpelativo, que em momento algum se desvia do interlocutor, seja onde quer que ele esteja observando-a. Seu olhar singelo atrai os filhos. Maria não está sozinha, está acompanhado de seu Filho Jesus. Ela apresenta Ele nos braços á todos que dela se aproximam, ou de longe a observam. É para Ele que Ela nos atrai com sua áurea maternal e divina. Deus a fez toda santa, para que através de sua cativante santidade nos aproximemos de seu filho Jesus, que nos dá a Santidade na força do Espírito. Visualmente o pequeno filho que está nos seus braços, já é grande para quem, com fé o contempla. Este grande homem, Deus, enviado à humanidade se faz pequeno para viver com os homens e presenteá-los a santidade. Este pequeno que vive numa família concreta, num tempo histórico determinado anuncia a mensagem do Reino e quer todos os homens sejam participantes deste Reino. Ele se fez pequeno para nos tornar grandes. Seu amor imensurável foi tal que aceitou demonstrar seu amor pela humanidade no alto de uma Cruz. A Cruz na ponta do rosário, que é início e fim, é o centro da ação Trinitária na história dos homens. A Cruz da Unidade, quer unir os homens à Santíssima Trindade através do sangue derramado de Cristo no alto do Calvário. Nesta Cruz podemos ver os símbolos de Deus Pai e Espírito Santo, junto com Cristo sofrente. Maria, a Auxiliar de Cristo está ao lado acompanhando seu Filho no ardente momento da vida. Ela perde o Filho para ganhar a humanidade no algo do Calvário ao lado da Cruz: “Ao ver Sua Mãe e junto d’Ela o discípulo que Ele amava, Jesus disse à Sua mãe:” ‘Mulher, eis aí o teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí a tua Mãe’ (Jo 19, 26-27).

Pe. Vandemir Jozoé Meister. 30-10-2019

SECRETARIA NACIONAL DO TERÇO DOS HOMENS

http://www.tercodoshomensmaerainha.org.br