História do Terço dos Homens

HISTÓRIA DO TERÇO DOS HOMENS NO BRASIL

Pe. Vandemir J. Meister

Redação ano 07/11/2021.

Indice

1 – O Terço rezado pelos homens na Igreja

2 – No Brasil – homens que rezavam o terço

3 – Novo alvorecer do Terço dos Homens no Brasil

3.1 – O embrião Terço dos Homens no Brasil

3.2 – Semente do Terço dos Homens

3.3 – De uma  pequena semente nasce uma grande arvore.

3.4 – Unidade e implantações de Grupos.

3. 5 – Expansão dos grupos do Terço dos Homens Mãe Rainha

3.6 – O nome Terço dos Homens Mãe Rainha

4 – Implantação do Terço dos Homens Mãe Rainha fora do Brasil

1 – O Terço rezado pelos homens na Igreja

O Terço, como ato de piedade, rezado por homens, faz parte da história da espiritualidade da Igreja. Desde os primórdios da devoção ao santo rosário, encontramos monges e leigos iletrados – isto é, que não dominavam a leitura dos salmos – recorrendo às contas para louvar a Deus e a Virgem Maria. No século XIII, essa forma de oração se difunde com especial força através dos missionários dominicanos, que a utilizam como instrumento de evangelização e catequese popular.​

Os monges, ao final do dia, costumavam reunir os trabalhadores do campo para um momento de oração comunitária, e o terço se mostrava um meio simples e acessível de envolver a participação de todos. Assim, o rosário se espalhou rapidamente, tornando-se conhecido como o “breviário do leigo”: também aqui se recitavam 150 orações, não salmos, mas louvores àquela que é a grande advogada dos homens no Reino dos Céus, Maria Santíssima. Com o tempo, surgem as Confrarias do Rosário, espaços onde, de modo particular, os homens se reuniam para recitar o terço.​

2 – A história do Terço dos Homens no Brasil

A história do Terço dos Homens no Brasil precisa ser compreendida dentro da própria história da Igreja em nosso país. A história eclesial tem a função de resgatar acontecimentos ligados à fé, às estruturas pastorais e à vida do povo de Deus.​“Sem o conhecimento dela, nada válido se constrói. Toda a teologia está impregnada de complementos históricos, sem os quais torna-se, sob muitos aspectos, incompreensível.”[1]

É auscultando a história que descobrimos, em diferentes épocas, homens reunindo-se para rezar o terço

No período colonial[2], a Coroa e a Igreja promoviam o batismo e a catequese dos índios, dos portugueses em território brasileiro e dos escravizados, incentivando práticas como rezar o terço, participar da missa e, com o tempo, integrar confrarias leigas. Em muitas regiões, especialmente no litoral e em centros urbanos como Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os escravizados participavam de irmandades do Rosário e dos santos negros – Nossa Senhora do Rosário, São Benedito, entre outros –, onde a reza do rosário ou do terço fazia parte da piedade popular. Era comum haver grupos de escravos, separados de acordo com o sexo, que rezavam o terço promovido por missionários, como forma simples e prática de cativar os homens e transmitir a fé.

Em Goiana, Pernambuco, por volta de 1550, difundiu-se a devoção a Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, dando origem à formação de grupos que rezavam o rosário e que, mais tarde, serão chamados de Terço dos Homens Pretos, alimentando as futuras fundações de irmandades e confrarias no Brasil. Ao longo do século XVII, muitas irmandades sob essa invocação foram fundadas em igrejas do Norte e Nordeste, como a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, em Recife (PE), erigida em 1674, e outras em Belém (PA), ligadas a templos como a Igreja de Nossa Conceição da Praia.​

Segundo Serafim Leite, em 1586 os jesuítas fundaram diversas confrarias do Rosário entre os escravos dos engenhos, “com o fim de promoverem a piedade e a instrução religiosa de índios e negros”[3].. Já no século XVII, é documentada a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, de 1639, que incentivava particularmente os homens a rezar o terço de maneira organizada e frequente.​

Também no interior de Minas Gerais, na época do Brasil-colônia, existiram grupos de homens que rezavam o terço, normalmente ao final do dia. Rezavam juntos e, em seguida, partilhavam os acontecimentos da vida e da cidade. Nesse contexto, as Confrarias do Rosário, além de fomentar a oração, se tornaram espaços importantes de proteção e defesa dos direitos daqueles que a elas pertenciam. Ao longo da história, sempre encontramos, aqui e ali, grupos isolados de homens reunidos em torno do terço.

No último século, por exemplo, se registram iniciativas em Itabi (SE), motivadas pelo Frei Peregrino, e em Santa Maria (RS), ligadas à figura do Venerável João Luiz Pozzobon. Eram experiências fecundas, mas locais, que não chegaram a se expandir amplamente para outras regiões.

3 – Novo alvorecer do Terço dos Homens no Brasil

Na atualidade, a história do terço na Igreja conhece um novo alvorecer com grupos de homens rezando o terço de forma organizada e capilarizada. Multiplicam-se, em todo o país, os grupos de homens que se reúnem regularmente para essa devoção. A originalidade desse novo momento nasce no Nordeste brasileiro, mais especificamente em Jaboatão dos Guararapes e Olinda, em Pernambuco. Ali surgem dois grupos que se complementam e que, assumindo o nome de Terço dos Homens Mãe Rainha, dão início à expansão do que hoje conhecemos como Terço dos Homens em todo o Brasil.

O “novo” em relação às experiências anteriores está na expansão missionária: esses grupos assumem conscientemente a missão de “implantar novos grupos” nas paróquias e comunidades. É um fenômeno muito original das últimas três décadas. A expansão – chamada, no próprio meio, de “implantação de Grupos do Terço dos Homens Mãe Rainha” – toma a forma de um movimento de vida, que se espalha naturalmente pela Igreja, respondendo às necessidades espirituais dos participantes. Essa expansão é uma das grandes originalidades deste tempo mariano que a Igreja vive.

3.1 – O embrião do Terço dos Homens

O embrião do atual Terço dos Homens no Brasil tem sua origem no Nordeste, na década de 1990, profundamente ligado à espiritualidade de Schoenstatt e à devoção à Mãe e Rainha.

Historicamente, podemos afirmar que a atual irrupção de crescimento dos grupos tem como marco o dia 5 de março de 1997.

O contexto imediato remonta a um Congresso da Mãe Rainha, realizado em Igarassu (PE), em 1996, organizado por Ir. Renate Becker e Pe. Miguel Lencastre, com o objetivo de recolher experiências missionárias do nordeste brasileiro ligadas à Campanha da Mãe Peregrina.

Neste Congresso participava a Sra. Oneida Araújo da Silva, procedente de Jaboatão dos Guararapes/PE, onde era coordenadora da Campanha da Mãe Peregrina.

Neste Congresso a Sra. Oneida escuta o testemunho do Sr. Jurandir da Rocha Pereira, representante do Movimento da Mãe Rainha de Maceió/AL, que conta as ações missionárias realizadas na diocese de Maceió. Entre os relatos, o Sr. Jurandir comentou que as Missionárias da Campanha da Mãe Peregrina se reuniam junto à Casa Mãe Rainha, na paróquia de Nossa Senhora de Lurdes, para fazer algumas reuniões das  coordenadoras missionárias da Campanha da Mãe Peregrina em preparação à uma missão que queriam fazer em alguns bairros de Maceió.  Comenta o Sr. Jurandir: “Os esposos destas senhoras ficavam na rua esperando terminar a reunião conversando. Um deles teve a ideia, de enquanto as esposas faziam a reunião, rezar o terço. Assim, estes homens rezavam o terço na rua, embaixo de uma árvore frondosa, enquanto as esposas planejavam as atividades da Campanha da Mãe Peregrina.”

Esta iniciativa debaixo da árvore, rezar o terço perdurou por pouco tempo, junto à Casa Mãe Rainha. Durou enquanto duraram as reuniões de preparação da ação missionária.

Mas a iniciativa não se perdeu, graças à fé e ao olhar perspicaz desta senhora pernambucana, coordenadora da  Campanha da Mãe Peregrina em Jaboatão dos Guararapes, algo vai germinar.

Neste mesmo Congresso da Mãe Rainha em Igarassu/PE, a Sra. Oneida Araújo da Silva se aproximou do Sr. Jurandir  para saber melhor sobre a história desses homens que rezavam o terço na rua, diante da Casa Mãe Rainha.

3.2 – Semente do Terço dos Homens

De coisas insignificantes, muitas vezes, Deus cria grandes acontecimentos usando os instrumentos ao seu modo. As sementes são lançadas, dependerá em que terra há de cair a semente!

A história dos homens rezando o terço na rua deu muitas voltas no coração desta aguerrida senhora. De volta em sua cidade de origem, Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, onde era coordenadora da Campanha da Mãe Peregrina desde 1991,  a Sra. Oneira buscava um caminho para que os homens rezassem o terço  na capela próximo à sua casa.

Primeiro  leva a ideia e apresenta ao seu pároco, Padre Américo Vasconcelos da Paróquia de Santo Amaro em Jaboatão dos Guararapes/PE, que a autorizou a dar seguimento no seu anseio de organizar o grupo de homens para rezar o terço.

 Em seguida, a senhora Oneida, procura o Sr. Antônio José dos Santos, missionários da Mãe Peregrina no comércio do bairro e conhecido por seu estilo apostólico e de oração na capela do bairro, e o convida para rezar o terço com os homens. O Sr. Santos, como era conhecido, tinha o costume de rezar sozinho o terço na capela Nossa Senhora do Livramento, no espaço dedicado à Mãe Rainha.   

A capela de Nossa Senhora do Livramento frequentado por ambos, tinha sido  instituido  o Santuário Paroquial da Mãe Rainha, para apoiar os trabalhos missionários da Campanha da Mãe Peregrina. Esta capela faz parte da atual  Paróquia de Santo Amaro em Jaboatão dos Guararapes.

Conta a Sra. Oneida que o Sr. Santos não se entusiasmou com a proposta de formar um grupo de homens para rezar o Terço. Ela insistiu algumas vezes, mas o Sr. Santos não iniciava. Passados quase 1 ano, depois da primeira investida, segundo comentários da Sra. Oneida, ela resolveu tomar outra iniciativa e provocar novamente o Sr. Santos abordando-o:

“Santos, você convida os teus amigos homens perto da tua casa, e eu convido os homens que conheço lá embaixo no bairro, e vamos começar esse grupo de homens para rezar o terço.”[4]

No dia 05 de março de 1997, ao anoitecer, a Sra. Oneida apareceu com um pequeno grupo de homens e também o Sr. Santos com mais alguns amigos, um total de 15 homens[5], na Capela Nossa Senhora do Livramento. A Sra. Oneida chegou na capela e apresentou os homens ao Sr. Santos e disse: “Agora é com você Santos.”[6] E voltou para sua casa, deixando-os sozinhos.

O Sr. Santos começou a rezar o terço com este primeiro contingente de homens; no final os convidou para voltarem na semana seguinte no mesmo dia e horário para rezarem o Terço. No final do Terço, como o Sr. Santos tinha o costume de anotar suas atividades pastorais da Campanha da Mãe Peregrina no comércio, anotou o nome de todos os presentes deste primeiro dia da oração do terço.

O entusiasmo do Sr. Santos pela quantidade de homens que apareceram pela primeira vez, anima o grupo a perseverar e voltar na semana seguinte. Com isso o Sr. Santos foi fomentando os participantes que convidassem outros homens para aumentar o grupo. Manteve fielmente no dia e horário aquele compromisso de rezar o Terço diante do quadro da Mãe Rainha no Santuário Paroquial na Capela Nossa Senhora do Livramento.

Assim nasce a semente do primeiro grupo do Terço dos Homens sob a proteção da Mãe e Rainha.

O entusiasmo de Santos, somado ao número de participantes, anima o grupo a perseverar, convidando novos homens. Mantendo fielmente o compromisso semanal diante do quadro da Mãe Rainha, nasce o primeiro grupo do Terço dos Homens sob a proteção da Mãe e Rainha.

Esse grupo inicial de 15 homens[7] vai crescendo pouco a pouco, rezando semanalmente e assumindo algumas atividades pastorais. Era costume, por exemplo, que na Festa da Mãe Rainha, em 18 de outubro, no Santuário de Olinda, o andor da imagem, no trajeto entre a paróquia São Lucas e o Santuário, fosse carregado por esses homens, que já usavam camisetas alusivas ao Terço Mãe Rainha. Tanto a recitação do terço na capela quanto a presença ativa em procissões e celebrações davam visibilidade a esse grupo organizado.

3.3 – De uma  pequena semente nasce uma grande arvore.  

“Um pequeno grão de mostarda que, ao crescer, torna-se uma grande árvore onde as aves fazem ninhos.” Mt 13,31.

A semente lançada em Jaboatão é levada a “terras mais fecundas” permitindo assim  o crescimento que hoje conhecemos; a grande expansão do Terço dos Homens Mãe Rainha no território brasileiro e outros que nasceram inspirados nele.

Um passo decisivo nessa expansão foi o contato do padre schoenstattiano  José Pontes, assistente do Movimento da Mãe Rainha, quando tomou contato com a realidade desta capela, onde o primeiro grupo de homens rezava o terço.  

Sob a insistência da Sra. Oneida Araújo o padre foi levado de Kombi até o a capela Nossa Senhora do Livramento para ver de perto este primeiro grupo de homens rezando o terço.

A Sra. Oneida narra como foi o acontecimento:

“Eu tinha convidado algumas vezes o Pe. Pontes para vir aqui para nos falar da Mãe Rainha. Mas ele não vinha. Um dia pequei o telefone e disse que ia buscá-lo para vir para cá, pois queria mostrar algo interessante que estava acontecendo na Capela Nossa Senhora do Livramento – um grupo de homens rezando o terço todas as semanas. Combinei com ele o dia, pois tinha que ser o dia que os homens rezavam o terço. Aluguei uma Kombi, pois não tinha carro e ninguém que fosse buscá-lo. Foi eu e uma outra missionária da Mãe Rainha comigo. Fomos de Kombi para Olinda, buscar o padre no Santuário da Mãe Rainha. Voltemos de Kombi e paramos lá embaixo. Saímos da Kombi e fomos subindo e rezando o terço. Quando chegamos o padre se maravilhou no que viu; aqueles homens rezando o terço.”[8]

O Padre José Pontes achou esta iniciativa interessante e intuiu neste acontecimento algo grandioso para a execução do Ideal do Santuário da Mãe Rainha em Olinda.

O Santuário onde o padre atuava pastoralmente,  cujo ideal é: “Tabor da Nova Evangelização”, pensado no contexto do Jubileu dos 500 anos de Evangelização das Américas, ano de 1992 foi construído. A intenção era que o Santuário se tornasse uma força mariana de reevangelização para o Nordeste brasileiro. Ninguém imaginava que uma forma privilegiada dessa nova evangelização seria justamente a reza do terço pelos homens.

O padre convida então o senhor Antônio Medeiros Costa Filho, pertencente à Liga de Famílias de Schoenstatt, para implantar  no Santuário da Mãe Rainha, em Olinda, o grupo de oração do Terço dos Homens, semelhando o que ele tinha conhecido Jaboatão dos Guararapes. Cerca de oito meses depois do início em Jaboatão, Medeiros convida um pequeno grupo de homens[9] e começam a rezar uma vez ao mês, ao lado das ruinas do antigo muro, em frente ao Santuário da Mãe Rainha em Olinda.

Em maio de 1998, mês mariano, o senhor Medeiros, coordenador deste primeiro grupo no Santuário da Mãe Rainha, propõe um “Capital de Graças” para os homens; presente a ser oferecido à Mãe Rainha[10]. A proposta do “Capital de Graças” foi aceito pelos poucos participantes.

  • Rezar o Terço no mês de maio semanalmente e no mesmo horário.  
  • Cada homem convida outro homem para vir na semana seguinte.

A Mãe de Deus abençoa esta iniciativa ajudando os homens a realizarem o ideal deste Santuário: Tabor da Nova Evangelização.

O senhor Carlos Alves, coordenador do deste grupo depois de Medeiros testemunha que:

“Quando cheguei no Santuário da Mãe Rainha tinha um grupo pequeno de homens rezando o Terço. Eu encontrei interessante essa iniciativa, me identifiquei e comecei a frequentar. No mês de maio começamos a rezar semanalmente e o Valmy ficou para ir contando quantos homens iam chegando por semana no grupo no Santuário. No final do mês o Valmy chegou a mim emocionado dizendo que tínhamos alcançado o número de 100 homens. Foi uma emoção muito grande para nós. Era para rezar semanalmente somente no mês de maio e depois voltar uma vez ao mês em junho. Devido as multiplicações, ficou assim, semanalmente.”[11]

A experiência foi tão forte que decidiram manter o encontro semanal, em vez de voltar à frequência mensal. Como não se lembravam exatamente o dia em que o grupo começou, convencionaram a data de 30 de maio de 1998 como a data de fundação do Terço dos Homens no Santuário da Mãe Rainha, por reconhecerem ali um momento especial da ação da Mãe de Deus.​

Carlos Alves comenta que:

 “Não temos a data exata quando começou, mas passado um tempo depois desse acontecimento de maio, nós nos perguntamos qual era o nosso dia de fundação e ninguém lembrava; assim que decidimos pegar essa data como referência, porque para nós foi um lindo testemunho da Mãe Rainha.”[12]

3. 4 – Unidade e implantações de Grupos

Os homens que coordenavam o grupo no Santuário perceberam, com o tempo, que precisavam de um material de apoio com mais orações e uma mística própria de espiritualidade como estavam vivenciando no Santuário da Mãe Rainha, pois muitos sabiam poucas orações marianas.

Reuniram-se e elaboraram um manual do Terço que ajudaria tanto na oração semanal quanto na implantação de novos grupos nas paróquias e capelas. Nesse manual, inspirados na espiritualidade de Schoenstatt, criaram um pequeno ritual que enriquecia o encontro do Terço com elementos de consagração, músicas, hino do terço, estrutura diocesana, vínculos e envio, indo além da simples recitação das dezenas. O Manual se tornou um elemento original do Terço dos Homens Mãe Rainha e passou a dar unidade aos diversos grupos que surgiam nas implantações[13].

Posteriormente um bispo comentou: “Esse manual para os homens do Terço é como o missal para os padres e bispos: ele dá unidade celebrativa”[14]

Comenta Carlos Alves :

“Não lembro bem, quanto tempo depois, nos reunimos e elaboramos um manual do Terço para que os homens pudessem acompanhar todos os dias a reza do Terço com a espiritualidade da Mãe Rainha; pois nós estávamos rezando dentro da sua casa. O manual foi aprovado pelo Pe. José Pontes e também o Pe. Miguel Lencastre.”[15]

Os elementos básicos e mais importantes da mística do Terço dos Homens já estavam sendo consolidados no nascimento destes dois grupos, um complementando o outro.

3. 5Expansão dos grupos do Terço dos Homens Mãe Rainha

Com toda a riqueza já consolidada em Jaboatão dos Guararapes e no Santuário da Mãe Rainha, em Olinda, os homens compreenderam que essa graça não podia ficar “aprisionada” apenas ali. Impulsionados por inúmeros testemunhos de transformação de vida, discerniram que era hora de levar a experiência para outras paróquias.

A coordenação do grupo que se reunia no Santuário da Mãe Rainha decidiu, então, iniciar a implantação de novos grupos nas paróquias vizinhas e nas capelas, tendo o Manual como instrumento de formação e de unidade. Com o Manual em mãos, partiram para o trabalho missionário, conscientes de que aquele livrinho seria uma peça-chave no processo de expansão. Ele não só oferecia um roteiro comum de oração, como também ajudava os homens a aprender as orações e a rezá-las juntos, em uníssono, fortalecendo a identidade e a comunhão entre os grupos.

Entre as metas assumidas pelo Pe. Miguel Lencastre, então reitor do Santuário, e por Carlos Alves, primeiro coordenador do Terço dos Homens Mãe Rainha, estava justamente a de levar essa iniciativa – tão fecunda no Santuário – para outros estados do Nordeste, onde o padre mantinha contatos pastorais. Inicia-se, assim, um movimento de expansão para outras cidades e regiões do Brasil.

Nas viagens pastorais de Pe. Miguel Lencastre e Carlos Alves, a grande novidade apresentada era a implantação de grupos de homens rezando o terço nas paróquias, capelas e dioceses de diversos estados nordestinos. As capitais passaram a fazer parte da estratégia de expansão: Recife, João Pessoa, Salvador, Maceió, Natal e, a partir delas, o interior de cada estado, sempre com a proposta de formar Grupos de Oração do Terço dos Homens, conhecidos pela sigla GOTHs.

Esse processo de implantação não foi isento de dificuldades. Muitos padres e bispos não acreditavam que homens se reuniriam com constância para rezar o terço e, por isso, nem sempre facilitavam espaço nas paróquias para a formação dos grupos. Aos poucos, porém, o testemunho de comunidades onde o Terço dos Homens estava produzindo frutos – conversão, retorno à vida sacramental, reconciliação familiar – foi abrindo portas, e a experiência se espalhou por várias dioceses e estados brasileiros.​

3.6 – O nome Terço dos Homens Mãe Rainha

O Espírito Santo conduz as obras do Reino. Percebemos que o Terço dos Homens não nasce de um projeto pastoral refletido sobre a mesa e buscado formas e metas de aplicação. O nome é um exemplo vivo dessa realidade, foi tomando forma com a vida e o tempo.

No início era os homens que rezam o terço, depois passou para terço dos homens e ao se espalhar através das implantações nas paróquias e capelas recebeu o nome de Grupo de Oração Terço dos Homens, tendo como sigla GOTHs.

Com o tempo, percebeu-se que essa nomenclatura gerava confusão com os grupos de oração da Renovação Carismática Católica, que também usam essa expressão, e, além disso, não destacava com clareza a fonte espiritual de onde brotara o movimento.

“ Devido à necessidade da identificação com a espiritualidade de onde procedeu a fecundidade do Terço dos Homens e para evitar confusão de nomes com outros grupos de oração existentes na Igreja, a Coordenação Nacional do Terço dos Homens substituiu pelo nome de Terço dos Homens Mãe Rainha, em março de 2007, durante o Simpósio Mariológico em Belém do Pará, em preparação à Vª Conferência do CELAM e da vinda do Papa Bento XVI à Aparecida do Norte. A partir desta data os grupos assumiram este nome.” [16]

Por esse motivo, a já constituída Coordenação Nacional, juntamente com os Assessores Espirituais decidiram, em março de 2007, durante o Simpósio Mariológico realizado em Belém do Pará, adotar o nome Terço dos Homens Mãe Rainha (THMR). A partir dessa data, os grupos passaram a assumir oficialmente essa designação, embora ainda hoje seja possível encontrar alguns grupos com antiga sigla denominativa: GOTHs.

4. – Implantação do Terço dos Homens Mãe Rainha fora do Brasil.

O movimento do Terço dos Homens Mãe Rainha também ultrapassou as fronteiras do Brasil. Em diversos países, a Igreja vive um novo “advento mariano” com o surgimento de grupos de terço, muitos deles sob o título de Mãe Rainha. Em países sul-americanos como Chile, Paraguai e Argentina, existem grupos do Terço dos Homens que têm a Mãe Rainha como padroeira. No Chile, por exemplo, os grupos são conhecidos como “Los Madrugadores”: homens que se levantam à primeira hora do dia para rezar o terço e, em seguida, vão ao trabalho; esse movimento começou em 1989, em Rancagua, e tem crescido em todo o país. No Paraguai, os grupos são chamados “Rosario de los Hombres Valientes”, nascidos em 4 de dezembro de 2012, também em forte expansão.​

Além disso, há grupos vinculados à Mãe Rainha em vários outros países, muitas vezes surgidos a partir de brasileiros que levaram a experiência de ter participado de um grupo do Terço dos Homens Mãe Rainha no Brasil: em Moçambique (Tete), na Holanda (Amsterdã), em Portugal (Lisboa), no Japão (Hamamatsu, na diocese de Tóquio), no Canadá, na Itália, entre outros lugares.​

Autor: Pe. Vandemir Jozoé Meister.

Redação ano 07/11/2021.


[1]  Rubert, Arlindo. A Igreja no Brasil. Origem e desenvolvimento. Vol 1. Edição 1977. Pallotti. Pág. 15

[2] O período colonial no Brasil estendeu-se de 1500 a 1822, iniciando com a chegada dos portugueses e finalizando com a Independência.

[3] LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1938, Vol. II, pp. 340-341.

[4] Testemunho em áudio dado pela Oneida Araújo da Silva ao Pe. Vandemir J. Meister em 20/04/2020.

[5] Existe a folha onde assinaram todo os presentes, com isso assegurando a exatidão do fato histórico.

[6] Testemunhado no áudio da Sra. Oneida Araújo da Silva.

[7] Ivan José da Silva, Amaro Bezerra da Silva, José da Costa Silva, Ivanildo Cabral Gomes, Iran Monteiro da Silva, João Galdino Filho Silva, Francisco João Santos, José Felizardo Muniz, Rivaldo Bezerra da Silva,  Antonio José dos Santos, Sebastião Gomes da Silva, José Damião da Silva, José Luiz de Souza, Rivaldo Batista Alburquerque e Geraldo de Oliveira Ferreira.

[8] Idem. Oneida Araújo da Silva.

[9] Neste primeiro grupo liderado pelo Sr. Medeiros estavam também Valmy, Sr. João, Francisco, Nelson, Marcos Filinto e Jairo, comenta o Pe. Miguel Lencastre.

[10] Capital de Graças é uma expressão técnica da  pedagogia da Espiritualidade de Schoenstatt de apresentar oferecimento de atitudes, esforços, sacrifícios, etc., a Deus.

[11] Testemunho em áudio fornecido pelo Sr. Carlos Alves ao Pe. Vandemir J. Meister.

[12] Idem. Carlos Alves.

[13] Implantações: nome usado na criação de novos grupos, dando o sentido de que este grupo que inicia tem uma fonte originária que todos os grupos dela bebem.

[14] Dom José Carlos Sobrinho, Arcebispo de Recife de 1985 a 2009.

[15] Idem. Carlos Alves.

[16] Cf. Orientações Gerais e Pastorais para o Terço dos Homens. Ed. Patris Brasil, 2019, pág. 14.

Em diálogo com a vida, herói hoje!

Em diálogo com a Vida, Heróis de Hoje!

Pe. Vandemir Jozoé Meister

São Paulo, 26/02/2026

O Diálogo com a Vida na Atitude Heroica de João Luiz Pozzobon

Introdução: Um Chamado à Santidade Heroica em Tempos de Vazio

A Família de Schoenstatt do Brasil, ao propor o lema “Em diálogo com a vida, Heróis de Hoje” para o biênio 2025-2026, não apenas oferece uma linha de ação, mas articula uma resposta profética aos desafios mais profundos da sociedade contemporânea.

Este lema, nascido da escuta atenta aos sinais dos tempos e às inquietações que atravessam nossa realidade social, convoca cada membro da família schoenstatiana a uma atitude firme, coerente e perseverante diante das múltiplas crises que caracterizam nosso tempo. Com um acurado olhar na Fé Prática na Divina Providência superar os desafios hodiernos.

No centro desta proposta está a figura luminosa do Venerável Diácono João Luiz Pozzobon, cuja vida testemunha uma santidade missionária capaz de integrar o espiritual e o concreto, o transcendente e o cotidiano, a oração e o serviço. Pozzobon emerge como modelo de heroísmo autêntico, não no sentido épico ou extraordinário das narrativas mitológicas, mas no sentido evangélico da fidelidade diária, da doação generosa e da perseverança incansável na missão recebida.

Parte I: O Diagnóstico da Sociedade Contemporânea

A Era do Vazio: O Individualismo Narcisista de Lipovetsky

O filósofo francês Gilles Lipovetsky, em sua obra “A Era do Vazio” (1983), oferece um diagnóstico penetrante da sociedade pós-moderna[1]. Segundo Lipovetsky, vivemos em uma cultura dominada pelo narcisismo, caracterizada não pelo narcisismo clássico de autocontemplação amorosa, mas por um narcisismo de vazio, de indiferença, de busca obsessiva por satisfação pessoal imediata sem compromisso com valores duradouros.

Este narcisismo contemporâneo manifesta-se em múltiplas dimensões da vida social. No plano das relações interpessoais, observa-se uma tendência crescente à superficialidade, à instrumentalização do outro em função das próprias necessidades, à incapacidade de estabelecer vínculos profundos e duradouros. As pessoas relacionam-se cada vez mais em termos de utilidade, de satisfação momentânea, de benefício imediato, sem a disposição para o compromisso que exige paciência, renúncia e perseverança.

No plano dos valores, Lipovetsky identifica o que chama de “personalização”, um processo pelo qual os grandes ideais coletivos, as narrativas totalizantes, as causas comuns são substituídas por uma busca individualista de bem-estar, realização pessoal e autenticidade subjetiva[1]. Não se trata de um individualismo afirmativo, que constrói projetos de vida sólidos e significativos, mas de um individualismo frágil, oscilante, marcado pela incerteza e pela necessidade constante de validação externa.

O consumismo aparece como manifestação privilegiada desta era do vazio. Não se consome apenas bens materiais, mas também valores, ideias, relações, experiências – tudo se torna objeto de consumo descartável. A lógica do mercado permeia todas as esferas da existência, transformando até mesmo as dimensões mais íntimas e sagradas da vida em commodities a serem adquiridas, usadas e descartadas conforme as flutuações do desejo.

Esta sociedade narcisista produz, paradoxalmente, não indivíduos plenos e autossuficientes, mas sujeitos fragmentados, ansiosos, atormentados pela necessidade de performance constante, pela insegurança ontológica, pelo medo de não ser suficiente. O vazio interior torna-se a condição existencial predominante, preenchido momentaneamente por satisfações efêmeras que logo se revelam insuficientes, gerando um ciclo vicioso de busca sem fim.

A Modernidade Líquida: A Fragilidade dos Vínculos analizada por Bauman

O sociólogo polonês Zygmunt Bauman complementa e aprofunda este diagnóstico com o conceito de “modernidade líquida”[2]. Para Bauman, vivemos a passagem de uma modernidade “sólida”, caracterizada por instituições estáveis, identidades fixas e compromissos duradouros, para uma modernidade “líquida“, marcada pela fluidez, pela transitoriedade, pela volatilidade de todas as estruturas sociais.

Na modernidade líquida, os vínculos humanos tornam-se frágeis, superficiais, constantemente renegociáveis. Bauman fala de “relações de bolso“, relações que se pode guardar e tirar conforme a conveniência, sem o peso do compromisso permanente[2]. O casamento, a amizade, os laços comunitários, tudo se torna negociável, provisório, passível de descarte quando deixa de satisfazer ou quando surge algo aparentemente melhor.

Esta liquidez afeta também a construção das identidades. Se na modernidade sólida as identidades eram em grande medida herdadas e estáveis (profissão, classe social, religião, nacionalidade), na modernidade líquida as identidades tornam-se projetos individuais, constantemente revisados, redefinidos, adaptados às circunstâncias cambiantes. Esta flexibilidade, que aparentemente oferece maior liberdade, produz na verdade uma angústia identitária profunda, uma insegurança existencial crônica.

Bauman destaca ainda o fenômeno do que chama de “amor líquido“, relações afetivas caracterizadas pela busca de “conexões” em vez de “relacionamentos“[2]. Conexões são rápidas, fáceis de estabelecer e de desfazer, não exigem investimento emocional profundo nem compromisso duradouro. Relacionamentos, por outro lado, exigem tempo, cultivo, trabalho constante, capacidade de perdão e recomeço – algo cada vez mais raro em nossa cultura da instantaneidade.

A sociedade líquida produz, assim, indivíduos simultaneamente hiperconectados e profundamente solitários, com milhares de “amigos” virtuais mas poucos vínculos reais de sustenção mútua. A solidão, a ansiedade e a depressão tornam-se epidemias contemporâneas, sintomas de uma crise civilizacional mais profunda.

Elementos Alienantes da Sociedade Atual

Articulando as análises de Lipovetsky e Bauman, podemos identificar alguns elementos particularmente alienantes da sociedade contemporânea que desafiam a proposta de uma vida heroica e comprometida:

  • O consumismo desenfreado: A redução de todas as dimensões da vida à lógica do consumo, transformando até mesmo experiências espirituais, relações humanas e identidades pessoais em produtos a serem adquiridos no mercado. Este consumismo não apenas degrada o meio ambiente e perpetua injustiças sociais, mas também esvazia a existência de sentido transcendente.
  • A cultura do descarte: Intimamente ligada ao consumismo, esta cultura promove a obsolescência programada ( fabricação de produtos com uma vida útil intencionalmente limitada, ou seja, para durarem menos do que deveriam. ) não apenas de objetos, mas de pessoas, relações e valores. O que não mais satisfaz ou corresponde às expectativas é simplesmente descartado, sem processo de elaboração, luto ou aprendizado.
  • A hiperindividualização: A exacerbação do individualismo que fragmenta o tecido social, enfraquece as solidariedades coletivas e reduz a capacidade de ação política transformadora. Cada indivíduo torna-se uma ilha, responsável isoladamente por sua própria felicidade e sucesso, sem referência a um bem comum. Ex.: “therians” — uma identidade não-humana ligada ao mundo animal – therianthropy/therian (animal selvagem, besta) anthropo/homem.
  • A tirania da performance: A pressão constante para produzir, otimizar, melhorar, estar à altura das expectativas sociais. Esta tirania gera esgotamento, ansiedade e sentimento crônico de inadequação, especialmente intensificado pelas redes sociais onde todos aparentemente vivem vidas perfeitas.
  • A indiferença ética: O enfraquecimento de compromissos éticos sólidos, substituídos por uma ética situacional, relativista, na qual “tudo depende” e não há critérios objetivos para discernir o bem e o mal, o justo e o injusto.
  • A polarização e fragmentação social: Paradoxalmente, a mesma sociedade que promove o individualismo também produz tribalismos identitários agressivos, incapacidade de diálogo, demonização do diferente e polarização política extrema, como bem observa o lema de Schoenstatt ao mencionar eventos que “polarizam ainda mais a sociedade”.

Parte II: João Luiz Pozzobon – Um Herói Contra-Cultural

Quem foi João Luiz Pozzobon

João Luiz Pozzobon nasceu em 12 de agosto de 1904, em Ribeirão, município de Santa Maria, Rio Grande do Sul. Filho de imigrantes italianos, cresceu em uma família simples de trabalhadores rurais, marcada pela fé católica e pela devoção mariana[3]. Desde jovem, João Luiz distinguiu-se por sua profunda vida espiritual mariana e seu zelo apostólico.

Na década 1940/50 , João Luiz conheceu o Movimento de Schoenstatt e a devoção à Mãe Três Vezes Admirável. Este encontro marcaria definitivamente sua vida e missão. Sentindo-se chamado a levar a mensagem de Schoenstatt e a devoção mariana às famílias, iniciou em 1950 o que viria a se tornar a grandiosa Campanha da Mãe Peregrina[3].

A Campanha consistia em levar uma imagem da Mãe Três Vezes Admirável de casa em casa, visitando famílias, rezando com elas, evangelizando, atendendo necessidades espirituais e  se possível materiais. Durante 35 anos, até sua morte em 1985, o venerável João Luiz Pozzobon percorreu incansavelmente cidades e vilarejos, sempre a pé ou utilizando transportes precários, levando a presença maternal da Mãe Rainha aos lares, escolas, presídios, hospitais, etc.

Em 1972, aos 68 anos de idade, João Luiz foi ordenado Diácono Permanente, o que poderíamos dizer: um reconhecimento oficial da Igreja ao seu ministério já exercido há décadas. A ordenação diaconal conferiu ainda maior dimensão eclesial ao seu apostolado.

João Luiz Pozzobon faleceu em 6 de junho de 1985, aos 80 anos.

A Atitude Heroica: Características do Heroísmo de Pozzobon

O que fez de João Luiz Pozzobon um “herói”?

Certamente não foi a busca por reconhecimento, poder ou glória pessoal – valores narcisistas da sociedade contemporânea. O heroísmo de Pozzobon manifesta-se em características diametralmente opostas aos elementos alienantes descritos por Lipovetsky e Bauman:

  • Atitude firme e coerente: Em contraste com a liquidez e volatilidade da sociedade contemporânea, Pozzobon viveu uma coerência radical entre fé professada e vida concreta. Sua opção pela Campanha da Mãe Peregrina não foi um projeto temporário ou experimental, mas um compromisso de vida inteira, mantido com fidelidade inabalável durante 35 anos, enfrentando dificuldades, incompreensões, cansaço e adversidades climáticas.
  • Perseverança heroica: Contra a cultura do descarte e da satisfação imediata, Pozzobon encarnou a perseverança, virtude esquecida na contemporaneidade. Perseverou na oração diária, nas caminhadas longas sob sol e chuva, nas visitas casa por casa, na confiança na Providência Divina mesmo diante de recursos materiais escassos. Esta perseverança não era teimosia obstinada, mas fruto de uma convicção profunda e de um amor que não esmorece.
  • Doação generosa: Enquanto a sociedade narcisista volta-se obsessivamente para si mesma, Pozzobon viveu radicalmente a lógica da doação. Doou seu tempo, suas energias, sua saúde, sua vida inteira ao serviço do Reino de Deus e à evangelização das famílias. Não buscou acumular bens, construir patrimônio pessoal ou garantir segurança material, mas confiou totalmente na Providência.
  • Vínculos sólidos e duradouros: Contra a fragmentação das relações líquidas, Pozzobon estabeleceu vínculos profundos e transformadores. Não apenas visitava as famílias momentaneamente, mas cultivava relacionamentos duradouros, acompanhava processos de conversão, mantinha correspondência, voltava para verificar o crescimento espiritual. Sua relação com cada família não era uma “conexão” descartável, mas um vínculo espiritual permanente.
  • Integração do espiritual e do material: Pozzobon superou a falsa dicotomia entre espiritualidade e vida concreta. Ao visitar as famílias, não apenas rezava e evangelizava, mas também se preocupava com suas necessidades materiais, ajudava nos trabalhos, aconselhava em questões práticas, promovia a dignidade humana integral. Sua santidade não era desencarnada ou angelista, mas profundamente inserida na realidade humana concreta.
  • Humildade e simplicidade: Em contraste com a cultura da performance e da ostentação, Pozzobon viveu na mais absoluta simplicidade. Não possuía nada além do essencial, não buscava reconhecimento ou títulos, contentava-se com as condições mais precárias de viagem e hospedagem. Sua humildade não era falsa modéstia, mas verdadeira consciência de ser instrumento nas mãos de Deus.
  • Fidelidade à Igreja: Contra o individualismo religioso contemporâneo, Pozzobon viveu profunda comunhão eclesial. Sua devoção mariana e seu apostolado sempre estiveram enraizados na obediência à Igreja, na participação sacramental, no respeito à hierarquia. Não era um místico isolado ou um profeta auto-referenciado, mas um filho obediente da Igreja.

Pozzobon: Solidez na Liquidez, Plenitude no Vazio

A vida de João Luiz Pozzobon representa, portanto, uma contra-proposta radical aos paradigmas da sociedade contemporânea. Onde Lipovetsky identifica vazio, Pozzobon oferece plenitude de sentido enraizada na Aliança de Amor. Onde Bauman diagnostica liquidez, Pozzobon testemunha solidez de compromissos fundamentados na fé.

Esta contra-proposta não é meramente reacionária ou nostálgica. Pozzobon não viveu numa sociedade pré-moderna idealizada, mas enfrentou os desafios concretos de seu tempo – pobreza, secularização crescente, transformações sociais aceleradas. Sua resposta não foi a fuga para um passado idealizado, mas a criatividade missionária de quem dialoga com a realidade à luz de uma convicção profunda.

O Pe. José Kentenich, fundador do Movimento de Schoenstatt, ao conhecer a obra de Pozzobon, exclamou profeticamente: “Vejam vocês como, no apostolado do senhor Pozzobon, todas as forças fundamentais de Schoenstatt se tornam eficazes”. Homem e mulher em casamento

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Esta frase sintetiza o paradoxo evangélico do heroísmo autêntico: não se trata de grandeza segundo os critérios mundanos de poder, riqueza ou fama, mas da grandeza da doação humilde e perseverante que Deus utiliza para transformar o mundo.

Parte III: O Lema “Em diálogo com vida, Heróis de Hoje” – Proposta para a Família de Schoenstatt

O Diálogo com a Vida: Fundamento Carismático

O lema proposto pela Central Nacional de Schoenstatt para o biênio 2025-2026 articula-se em torno do conceito de “diálogo com a vida”. Este conceito não é casual, mas profundamente enraizado no carisma schoenstatiano e na pedagogia do Pe. Kentenich.

Dialogar com a vida significa, em primeiro lugar, olhar atentamente a realidade concreta, discernir os sinais dos tempos, identificar as necessidades e desafios da época. Não é uma espiritualidade de fuga ou alienação, mas de encarnação, de inserção responsável no mundo. Como afirma o documento do lema, “o diálogo com a vida direciona o nosso olhar para o nosso carisma, a Aliança de Amor vivida à luz da fé prática na Providência Divina”.

Este diálogo implica também confrontar-se com os desafios contemporâneos sem ingenuidade ou capitulação. Reconhecer que “muitas coisas preocupam muita gente, inquietam e deslocam”, que há “eventos que serão longamente discutidos – com o perigo de polarizar ainda mais a sociedade”. O realismo do diagnóstico é condição para a autenticidade da resposta.

Mas dialogar com a vida não é apenas observar passivamente ou adaptar-se conformisticamente. É responder criativamente, propor alternativas, testemunhar outros modos de existência possíveis. É neste sentido que a atitude do Diác. JLPozzobon torna-se paradigmática: ele dialogou com a vida de seu tempo não apenas constatando problemas, mas oferecendo respostas concretas, construindo alternativas, gerando transformação.

Com a Atitude de Pozzobon: Pedagogia do Exemplo

O lema não propõe princípios abstratos ou teorias desencarnadas, mas uma pedagogia do exemplo: “Com ele queremos caminhar, inspirados por ele queremos aprender a viver santamente”. Esta é uma característica fundamental da espiritualidade de Schoenstatt: a vinculação pessoal, a imitação concreta de modelos viventes de santidade.

JLPozzobon torna-se, assim, não apenas objeto de admiração distante, mas companheiro de caminho, inspirador de atitudes concretas. A proposta é caminhar “com a mesma atitude de Pozzobon, com um coração disposto para toda a luta, para toda a coerência e para toda a perseverança que a vida exige de nós hoje”.

Esta disposição heroica não é excepcional ou extraordinária no sentido de ser reservada a poucos eleitos, mas é o chamado universal à santidade que o Concílio Vaticano II reafirmou.

Todos são chamados a viver com atitude heroica, não no sentido épico de grandes feitos visíveis, mas no sentido evangélico de fidelidade diária, amor perseverante, doação generosa nas circunstâncias concretas da própria vida.

Santidade Missionária: Promoção Integral do Ser Humano

O documento do lema especifica que se trata de “uma santidade missionária que promove o ser humano em todas as suas dimensões”. Esta formulação é crucial e alinha-se perfeitamente com o exemplo de Pozzobon e com o magistério contemporâneo da Igreja, especialmente o Papa Francisco – pentear as ovelhas, periferias existenciais onde há sofrimento.

Santidade missionária significa que não há separação entre crescimento espiritual pessoal e compromisso evangelizador. A santidade não é conquista individual narcisista, mas dom recebido para ser partilhado. O santo não se retira do mundo, mas insere-se nele transformadoramente, levando a Boa Nova do Evangelho.

A promoção integral do ser humano recusa tanto o espiritualismo desencarnado quanto o horizontalismo secularizado. Reconhece que o ser humano é uma unidade complexa de dimensões físicas, psicológicas, sociais, culturais e espirituais, todas merecedoras de atenção e cuidado. Pozzobon exemplificou esta integralidade ao unir oração e ação, evangelização e serviço social, palavra e testemunho concreto.

Processo Sinodal: Escuta e Discernimento Comunitário

O lema insere-se também no contexto do processo sinodal que a Igreja está vivendo, iniciado sob o impulso do Papa Francisco. O documento menciona explicitamente: “Esperamos que cada um, cada família, cada comunidade, em atitude de escuta como o caminho sinodal nos pede, acolha o lema como uma proposta de crescimento”.

A atitude de escuta é fundamental. Não se trata de impor um programa de cima para baixo, mas de propor um caminho de discernimento comunitário. Cada pessoa, família e comunidade é convidada a acolher o lema não como slogan vazio, mas como “critério para a elaboração da vida”, isto é, como princípio orientador concreto para decisões, prioridades e ações.

Esta pedagogia sinodal reconhece a maturidade dos membros da comunidade eclesial, confia no Espírito Santo que fala através da consciência dos fiéis, promove corresponsabilidade e protagonismo de todos. Ao mesmo tempo, oferece uma orientação clara e uma inspiração concreta na figura de Pozzobon.

Parte IV: Aplicações Práticas – Como Ser “Herói Hoje”

  1.        Resistir ao Vazio com Sentido Transcendente

A primeira aplicação prática do lema consiste em oferecer resistência consciente e deliberada ao vazio existencial diagnosticado por Lipovetsky. Esta resistência não se dá primariamente no plano do discurso ou da denúncia, mas no testemunho de uma vida plena de sentido enraizado em realidades transcendentes.

Concretamente, isto significa cultivar uma espiritualidade profunda, alimentada pela oração pessoal e comunitária, pela participação sacramental, pela meditação da Palavra de Deus, pela vivência da Aliança de Amor no Santuário. Significa encontrar na relação com Deus, mediada pela presença maternal de Maria, a fonte de sentido que a sociedade de consumo não pode oferecer.

Implica também hierarquizar valores, colocando em primeiro lugar não a satisfação imediata de desejos superficiais, mas a construção de uma vida significativa orientada para o bem, o verdadeiro e o belo. Implica fazer escolhas contra-culturais que podem parecer incompreensíveis aos olhos do mundo: escolher a simplicidade sobre o consumismo, a doação sobre a acumulação, o serviço sobre o poder.

A segunda aplicação prática consiste em construir vínculos sólidos e duradouros numa sociedade de relações líquidas e descartáveis. Inspirados por Pozzobon, somos chamados a investir nas relações, cultivá-las pacientemente, sustentá-las através de dificuldades, renovar compromissos.

No âmbito familiar, isto significa valorizar o casamento como aliança permanente, educar os filhos com presença e dedicação, cuidar dos idosos com reverência e gratidão. Significa resistir à tentação do divórcio fácil, da terceirização da educação, do abandono dos mais vulneráveis.

No âmbito comunitário, significa participar ativamente da vida paroquial e dos grupos de Schoenstatt, criar redes de solidariedade mútua, estabelecer amizades profundas baseadas em valores compartilhados. Significa superar o individualismo e redescobrir a beleza e a força da vida comunitária.

No âmbito social mais amplo, significa engajar-se em causas coletivas, participar de movimentos de transformação social, construir pontes em vez de muros, dialogar em vez de polarizar. Significa recuperar o sentido de bem comum e de responsabilidade solidária.

A terceira aplicação prática inverte a lógica dominante do consumismo: em vez de perguntar “o que posso consumir?”, perguntar “o que posso servir?”. Esta inversão é revolucionária e subversiva dos fundamentos da sociedade de mercado.

Servir significa colocar dons, talentos, tempo e recursos à disposição dos outros, especialmente dos mais necessitados. Pode ser o serviço direto aos pobres, doentes e marginalizados, como Pozzobon fazia ao visitar famílias carentes. Pode ser o serviço na própria comunidade eclesial, assumindo responsabilidades, animando grupos, preparando liturgias, assumindo conduções de grupos do Ramo.

Pode ser também o serviço profissional exercido com excelência e ética, vendo o trabalho não apenas como meio de sustento ou realização pessoal, mas como contribuição ao bem comum.

O essencial é a mudança de paradigma: da lógica da acumulação e do ter para a lógica da doação e do ser. Esta mudança é possível apenas enraizada numa experiência espiritual profunda que liberta da escravidão ao ter e abre para a alegria da doação.

  • Amar com Perseverança e Fidelidade

A quarta aplicação prática recupera as virtudes esquecidas da perseverança e da fidelidade. Numa cultura da instantaneidade, da gratificação imediata, da mudança constante, estas virtudes soam antiquadas e irrelevantes. No entanto, são elas que sustentam toda vida significativa e todo compromisso transformador.

Perseverar significa não desistir diante das dificuldades, não esmorecer quando os resultados tardam, não abandonar projetos quando deixam de ser novidade. A perseverança de Pozzobon em 35 anos de Campanha, visitando casa por casa sem desânimo, é modelo inspirador.

Fidelidade significa manter compromissos assumidos, honrar a palavra dada, sustentar vínculos através do tempo e das mudanças. Fidelidade conjugal, fidelidade vocacional, fidelidade à missão recebida – todas estas dimensões são contra-culturais na sociedade líquida, mas são constitutivas de uma vida heroica.

Perseverança e fidelidade não são teimosia obstinada ou rigidez inflexível. São fruto de convicções profundas, de amor genuíno, de esperança teologal. São sustentadas não pela força de vontade individual, mas pela graça divina acolhida na Aliança de Amor.

Conclusão: Caminhemos Juntos como Heróis de Hoje

O lema “Em diálogo com a vida, Heróis de Hoje”, com a inspiração da figura de João Luiz Pozzobon e o diálogo crítico com os diagnósticos de Lipovetsky e Bauman, oferece à Família de Schoenstatt do Brasil e a toda a Igreja uma proposta de vida cristã organica e humanista relevante para o tempo presente.

Não se trata de uma proposta impossível ou reservada a santos canonizados, mas de um chamado universal à santidade vivido nas circunstâncias concretas de cada pessoa, família e comunidade. Cada batizado, em sua situação particular, pode e deve viver com atitude heroica, resistindo aos elementos alienantes da sociedade contemporânea e testemunhando modos alternativos de existência fundamentados no Evangelho a exemplo inspirador do Venerável Diácono JLPozzobon.

A pedagogia proposta é clara: caminhar com Pozzobon, inspirar-se em sua atitude, imitar suas virtudes, deixar-se transformar por seu exemplo. Não se trata de imitação mecânica ou externa, mas de assimilação do espírito que o animava, adaptado criativamente às circunstâncias de cada um.

O horizonte é igualmente claro: servir aos que mais precisam do amor que a Aliança com a Mãe no Santuário oferece. O heroísmo cristão não é auto-referenciado ou narcisista, mas essencialmente missionário, voltado para o outro, especialmente o mais pobre e vulnerável.

“Que assim caminhemos juntos, animados de coragem e fé, com a firme esperança” que caracterizava João Luiz Pozzobon. Este caminhar juntos, em atitude sinodal, com escuta mútua e discernimento comunitário, é o modo schoenstatiano de viver a Igreja comunhão e missão que o Concílio Vaticano II propôs e que o Papa voltou a reafirmar.

Sejamos, portanto, Heróis de Hoje:

  • não heróis mitológicos de narrativas fantasiosas, mas heróis evangélicos de santidade cotidiana;
  • não heróis solitários e auto-suficientes, mas heróis solidários que caminham juntos;
  • não heróis que buscam glória pessoal, mas heróis que servem humildemente;
  • não heróis de um tempo passado idealizado, mas heróis profundamente inseridos nos desafios contemporâneos, dialogando com a vida concreta, oferecendo respostas inspiradas pela fé e animadas pelo amor.

Que a intercessão do Venerável João Luiz Pozzobon e a proteção maternal da Mãe e Rainha Três Vezes Admirável nos acompanhem neste caminho heroico de santidade missionária.

Referências

[1] Lipovetsky, G. (1983). A Era do Vazio: Ensaios sobre o Individualismo Contemporâneo. Manole.

[2] Bauman, Z. (2001). Modernidade Líquida. Jorge Zahar Editor.

[3] Central Nacional de Schoenstatt Brasil. (2025). Lema 2025-2026: Heróis de Hoje – O Diálogo com a Vida na Atitude de João Luiz Pozzobon.

Pe. Vandemir Jozoé Meister

São Paulo, 26 de fevereiro 2026.

Plano Biênio 2026-2027 Terço dos Homens Mãe Rainha – Brasil

“Com o Terço, em diálogo com a vida, Herói hoje!”

A Linha do Ano — que neste ciclo propomos como um biênio (2026-2027) — é composta por um conjunto de elementos que servem de referência e inspiração espiritual para o caminho do Terço dos Homens ao longo do período. Seu objetivo é orientar e propor elementos de espiritualidade e ações para fortalecer a vivência comunitária, eclesial, e crescimento de cada um dos membros do Terço dos Homens  para que, unidos, possamos caminhar em uma mesma direção.

As propostas de conteúdos oferecem base para a preparação de retiros, encontros e momentos de vivência, ajudando a manter o foco na dimensão espiritual do movimento. Muitas vezes, nesses encontros, abordam-se temas que pouco dialogam com a espiritualidade, o que nos faz perder uma preciosa oportunidade de refletir sobre Cristo, Maria, a missão do Terço dos Homens na Igreja e o chamado à santidade.

Os elementos apresentados a seguir são pistas e sugestões práticas que podem ser desenvolvidas de forma criativa e profunda nos retiros ou momentos formativos dos homens do Terço.

  1. Introdução e Visão (2026 – 2027) 
  • Lema 2026-2027: “Com o Terço, em diálogo com a vida, Herói hoje!” 
  • Âncora bíblica: “Sê fiel até a morte e eu te darei a coroa da vida” (Ap 2,10).
  • Plano de Ação Nacional:
  • Coroações das Imagens,
  • Equipes diocesanas para Preparação da Consagração à Nossa Senhora (através da pedagogia da Aliança de Amor),
  • Carta dos coordenadores diocesanos.
  • Inspiração: Venerável João Luiz Pozzobon — um leigo “herói hoje” que, com o terço e a imagem da Mãe e Rainha, visitou às famílias, fez do terço um caminho de santificação e serviço, e educou-se na fidelidade à Mãe Rainha através  da Consagração
  • Meta: Jubileu dos 30 anos (2027) do Terço dos Homens.

Propósito do Programa:

  • Unidade na fonte: Retomar a origem que inspirou o movimento do Terço dos Homens Mãe Rainha : oração do terço através do manual que nos une “Campanha do Manual na Mão”, perseverante e missionária, em aliança com Maria, no espírito do Movimento da Mãe Rainha/Schoenstatt. 
  • Fidelidade à Missa: Enraizar o Terço na Eucaristia, para que a oração brote do altar e conduza a ele. Do Terço à Eucaristia dominical/semanal.
  • Espiritualidade e serviço: Formar homens que rezam, se santificam na vida cotidiana e servem a sua família e a Igreja,  a exemplo do Venerável João Luiz Pozzobon. 
  • Presente à Nossa Senhora: Coroação: Reconhecendo Maria como Mãe e Rainha, nossa Mãe e Educadora  realizar, ao longo deste tempo, uma cruzada de coroação das imagens do Terço dos Homens, consagrando grupos, lares e lideranças à sua realeza. 

Síntese do biênio:

  • Três ações nacionais:

1 – Campanha de coroações das Imagens dos Grupos,  

2 – Equipe diocesana de formadores de Aliança de Amor,

3 – Cartas aos párocos e bispos.

  • Três eixos

1 – Unidade, 

2 – Espiritualidade,

3 – Serviço.

  •    Três fidelidades

1 – Terço,

2 – Missa,  

3 – Consagração à Nossa  Senhora através da Aliança de Amor.

  • Três atitudes

1 – Diálogo com a vida,

2 – Heroísmo cotidiano,

3 – Missionariedade. 

2) Unidade dos Homens do Terço: voltar à fonte 

A. O que entendemos por “fonte”? 

O que entendemos por “Fonte”?

  • Santuário

Quando falamos em “Fonte”, referimo-nos ao lugar espiritual e histórico onde tudo começou: a origem viva que deu sentido e fecundidade ao Movimento do Terço dos Homens Mãe Rainha. Essa fonte não é apenas um marco no tempo, mas um espírito que deve permanecer: simplicidade, oração fiel, amor a Maria e missão.

  • Mãe e Rainha

A fonte é, antes de tudo, amor pessoal que nasce do coração à Nossa Senhora, reconhecendo-a como Mãe e Educadora. É Ela quem transforma corações, renova vidas e desperta lideranças comprometidas com a Igreja e com o Movimento. Esse amor não é sentimentalismo; é uma entrega que nos leva a amar mais a Jesus Cristo, porque quem ama Maria, ama seu Filho com maior profundidade.

  • Heróis (os primeiros congregados, Pe. Kentenich, etc)

A fidelidade àqueles que iniciaram o Movimento é essencial. Foram homens simples, perseverantes, que rezaram com amor e deram origem à linda fecundidade que hoje vemos. Se temos este movimento vivo e forte, é porque a primeira geração foi fiel. Para que haja crescimento e frutos hoje, precisamos olhar para essa fidelidade, inspiração e missionariedade que marcaram o início. Não podemos perder esse espírito!

  • Considerações atuais.

Por isso, é necessário evitar ideologias separatistas, que usam princípios religiosos fora de contexto para justificar divisões. Esse tipo de atitude já causou cisões na própria Igreja ao longo da história. A soberba, o orgulho, a arrogância e a falta de humildade geram lideranças individualistas e separatistas, que ferem a unidade e a missão dentro da Igreja, mais concretamente na vida diocesana e paroquial do Terço dos Homens. O verdadeiro coordenador é humilde, ouvidor, servidor e fiel à fonte, um homem que está em constante diálogo. Quando o mesmo começa a se afirmar: eu fiz isto, eu fiz aquilo, acentuando sua pessoa, começa o fermento da necessidade de auto-afirmação e com isso a degeneração de sua liderança. Pois o mesmo esquece que na Igreja usamos as palavras de unidade: nós, comunidade, grupo, juntos, sinodalidade, etc.

O Movimento do Terço dos Homens Mãe Rainha só será fecundo se permanecer unido à sua origem: oração, amor a Mãe Rainha, fidelidade à Igreja e espírito missionário a exemplo do Pe. Kentenich e outros (“cada homem convida outro homem”). Essa é a fonte que nos sustenta e nos envia.

  • Missão

Princípios permanentes e constante vigilância em nossos grupos.

Zelar pela organização (ver pág. 18 ss Manual Oficial), a mística do ritual do Terço como propõe o Manual Oficial, Imagem Oficial da Mãe Rainha no Grupo do Terço, camisa/camiseta oficial, vida fraterna no grupo, missão concreta, educação para a santidade na vida diária e consagração à Nossa Senhora através da Aliança de Amor.  

B. Como viver a unidade, na prática? 

A unidade é um dom e uma conquista. No Movimento do Terço dos Homens Mãe Rainha, ela nasce da oração comum, do amor a Maria e da fidelidade à missão. Mas não se limita aos encontros semanais: deve se refletir na vida diária, no trabalho, na família e na comunidade. Viver a unidade é escolher a comunhão acima das diferenças, é colocar Cristo e Maria no centro, e não o próprio ego.

1. Unidade como atitude interior
Unidade começa no coração. É fruto da humildade, da escuta e do respeito. Cada homem é chamado a reconhecer que o grupo não existe para satisfazer ambições pessoais, mas para glorificar a Deus e servir à Igreja. Quando o orgulho, a soberba e a arrogância entram, surgem divisões. A luta pelo poder na liderança é uma tentação real: usar o grupo para projetar-se, buscar status ou influência é contrário ao espírito do Terço. Liderança verdadeira é serviço, não palco.

2. Fidelidade à missão e à origem
O movimento nasceu da simplicidade e da perseverança de homens que rezavam com amor. Essa é a fonte que sustenta tudo. Olhar para a primeira geração nos ensina que fecundidade vem da fidelidade, não da disputa. Quem ama Maria, ama Jesus e a Igreja. Por isso, qualquer projeto pessoal que gere separação ou ideologias deve ser rejeitado. A história mostra que interpretações distorcidas de princípios religiosos já causaram cisões dolorosas na Igreja.

3. Práticas concretas para viver a unidade

  • Oração comum: rezar juntos, oferecendo intenções pela comunhão e pela humildade.
  • Escuta fraterna: acolher opiniões sem impor ideias; dialogar com caridade.
  • Serviço desinteressado: assumir tarefas simples, sem buscar reconhecimento.
  • Formação contínua: estudar a espiritualidade do movimento e os ensinamentos da Igreja.
  • Correção fraterna: quando houver atitudes de vaidade ou divisão, buscar aproximar-se com amor do mesmo, fraternalmente e em privado para o aconselhamento.

4. Unidade na vida diária
Não basta viver a unidade no grupo; ela deve transbordar para a família, o trabalho e a sociedade. Ser homem do terço é ser construtor de paz, reconciliador, exemplo de honestidade e respeito. Cada gesto de humildade e cada renúncia ao ego são tijolos na construção da unidade.
Unidade é missão e testemunho. É escolher Maria como Rainha do coração e deixar que Ela eduque nossas atitudes. Onde há humildade, oração e serviço, há comunhão. Onde há soberba e busca de poder, há divisão. Que cada homem do terço seja um instrumento de unidade, para que o movimento continue fecundo e fiel à sua origem.

5. Unidade nacional como Terço dos Homens Mãe Rainha.

A unidade nacional do Movimento do Terço dos Homens não é apenas um ideal, mas uma necessidade para manter viva a missão que nasceu do coração da Igreja e da espiritualidade mariana. Essa unidade se constrói a partir de sinais concretos que expressam comunhão, identidade e fidelidade à origem.

a. Manual Oficial do Movimento
O Manual é a referência segura para todos os grupos. Ele garante que a oração, a espiritualidade e a missão sejam vividas de forma coerente com a inspiração original. Seguir o Manual evita improvisações que podem gerar divisões e mantém todos unidos na mesma linguagem e prática.

b. Imagem Oficial da Mãe Rainha
A imagem oficial é mais do que um símbolo: é um sacramental que nos une à fonte de graças do Santuário. Ter a mesma imagem nos grupos reforça a identidade comum e a fidelidade à Mãe e Rainha, educadora e formadora de homens novos. Ela é sinal de que pertencemos a uma mesma família espiritual. Junto com a Imagem Oficial da Mãe Rainha também acompanha a Imagem do(a) Padroeiro(a) da nossa paróquia ou capela.

c. A camisa/camiseta do Movimento
Usar a camisa/camiseta orientada pela Secretaria Nacional não é apenas vestir um uniforme; é assumir publicamente a missão e a identidade do Terço dos Homens. Ela expressa igualdade, fraternidade e compromisso. Quando todos usam a  camisa/camiseta, desaparecem distinções sociais, econômicas ou culturais: somos irmãos, unidos pela oração e pelo amor a Maria. A camiseta é sinal de humildade e pertencimento, não de vaidade ou disputa. Os símbolos orientados pela Secretaria para a camisa/camiseta contém as dimensões de Paroquialidade, Diocesaneidade e Localidade.
O Movimento é nacional, mas se concretiza na vida paroquial e diocesana. Cada grupo deve estar inserido na sua paróquia, em comunhão com o pároco e as pastorais, evitando agir de forma isolada. A diocese é espaço de integração e formação, garantindo que os grupos caminhem juntos. A localidade (igreja/capela) onde o grupo se reúne deve ser um lugar de acolhida e oração, aberto à comunidade.
Usar os mesmos símbolos — Manual Oficial, Imagem Oficial, camisa/camiseta — não é formalismo, mas expressão de comunhão. Esses sinais nos lembram que fazemos parte de algo maior: um movimento nacional de oração do Terço e missão. Eles educam para a fraternidade, pois ninguém é dono do movimento; todos somos irmãos e servidores da mesma causa à serviço da construção da Igreja através dos Grupos do Terço. Unidade nacional se constrói com fidelidade à origem, respeito às orientações e vivência concreta da comunhão. Quando cada grupo assume esses elementos com amor e simplicidade, o Movimento cresce em fecundidade e testemunho. Maria, nossa Mãe e Rainha, é o vínculo que nos une e nos envia como homens de oração e serviço.

C. Problemas típicos em nossa caminhada e desafios como superar 

  • Desânimo / faltas → Acolher, telefonar, oferecer carona, ir ao encontro dos afastados. 
  • Vaidades / disputas → Escuta fraterna, voto de humildade e serviço;      tudo pela causa da Mãe e Rainha e não pela minha causa. 
  • Diferenças paroquiais → Unidade na Eucaristia, respeito aos párocos,   escuta aos coordenadores diocesanos.
  • Tensões nas coordenações→ escuta atenciosa e integradora  das orientações emitidas pelos assessores sacerdotais que buscam o bem da Igreja e de todos os fiéis. “Às vezes se perde para ganhar!”.
  • Excesso de atividades → Priorizar a qualidade do terço semanal, missa, serviço na própria comunidade onde está o grupo. “Qualidade  é maior que quantidade!”. Evitar as coordenações diocesanas em assumir projetos que tiram os homens do terço de suas comunidades.

3) Espiritualidade dos Homens do Terço Mãe Rainha

A. Pilares espirituais 

  • Aliança de Amor: Entregar-se à Nossa Senhora, porque Ela é nossa Mãe, Rainha e educadora. Maria. Que Ela nos eduque e nos conduza a Cristo! 
  • Capital de Graças: Converter sacrifícios, deveres e lutas diárias em graças para a minha missão e do grupo que participo. 
  • Santuário e Imagem Oficial  do Terço dos Homens Mãe Rainha: O Santuário é nossa fonte de Graças. Maria desde sua Casa intercede e nos cuida como nossa Mãe e advogada.e envio; casa e caminho da família. A Imagem Oficial é fazer presente nos nossos grupos a lembrança do trono de Maria que é o Santuário. Por isso a Imagem tem o formato externo do Santuário da Mãe Rainha.
  • Heroísmo cotidiano (Herói hoje!): Pequenas vitórias diárias.                     (pontualidade, pureza do olhar, justiça, paciência, honestidade, serviço). 

B. Fidelidade à Missa: coração do programa 

  • Meta 2026-2027: aumentar a participação consciente nos nossos Grupos de crianças, jovens e adultos. Desde nossos grupos encaminhar para a Missa dominical e vida sacramental. 
  • Prática concreta

Cada membro do grupo assumir a missão de cada semana convidar outro (criança-adolescentes/pais, jovens e homens) para vir ao grupo.

Ir à celebração da Santa Missa e se oferecer para ajudar na preparação da Missa (limpar, arrumar os bancos, música, leituras, acolhida, etc). 

Chegar antes, fazer silêncio orante. 

Ação de graças pós-Missa com uma dezena do terço. 

C. Terço que educa e envia 

  • Proposta Individual – Semanalmente

Rezar o terço sozinho e com a família.

Intenções: Igreja, pároco, doentes, famílias, jovens, Brasil, autoridades, missionários, paz mundial, etc. 

Conclusão: consagração à Mãe e Rainha.

  • Proposta Grupo –  Semestralmente

Rezar fora (praça, hospital, presídio, lar de idosos, rua), com autorização para cada evento do pároco. Sem debilitar o ritmo semanal do grupo.  

4) Serviço de cada um dos Homens do Terço Mãe Rainha na Igreja e na sociedade.

A. Na paróquia 

  • Escutar o pároco e as necessidades reais. 
  • Assumir pastorais segundo dons: acolhida, liturgia, catequese de adultos, caridade, manutenção,etc.
  • Ser ponte entre famílias e Igreja: participar da Campanha da Mãe Peregrina, renovação da Aliança nos dias 18 de cada mês.  Em sintonia com orientações do pároco: benção das casas, visitas, etc. 

B. Nas famílias

  • Valorizar o matrimônio, paternidade, diálogo, perdão, oração em comum. 
  • Formar filhos/netos para o bem, a verdade e a santidade.
  • Promover noites do terço nos lares com vizinhos e amigos.

C. Na sociedade (trabalho e cidadania) 

  • Ética no trabalho, honestidade, respeito, compromisso. 
  • Rejeitar violência, corrupção e ódio; promover reconciliação
  • Ações concretas: campanha de alimentos, mutirões solidários, cuidado com os pobres e vulneráveis. 

5) Promoção de Coroação da Imagem Oficial do Terço dos Homens no Grupo.

Por que coroar? 
Porque reconhecemos Maria como Mãe, Rainha e Educadora  de nossas vidas, famílias e apostolado. A coroação é um ato de fé, amor e missão: pedimos que Ela reine e eduque nosso grupo, e oferecemos nosso heroísmo cotidiano como coroa viva. A exemplo de nossa Mãe e Rainha, nos oferecemos como servos e seus instrumentos. “Servus Mariae nunquam peribit!”

A. Metas das Coroações  (2026-2027, …)

  1. Crescimento pedagógico na Fé. A coroação antes de ser um ato, é um processo pedagógico, algo que tem que tocar no coração de cada homem do Grupo. Para os grupos nesse processo, a Secretaria Nacional oferece o material de preparação para a Coroação (Preparação e Rito de Coroação e Coroa).
  2. Coroar as imagem do grupo (paróquia/comunidade). Os grupos que já coroaram podem estar fazendo a renovação da coroação. A coroação se faz na própria comunidade onde se encontra o grupo, para valorizar a comunidade e o grupo do Terço. Normalmente no final de uma celebração da Missa, previamente combinado com o pároco.
  3. Preparar espiritualmente cada grupo com o material oferecido pela Secretaria Nacional. O coordenador do grupo entrar em contato com a Secretaria Nacional através: http://www.tercodoshomens.org.br
  4. Fazer um registro. Anotar no livro do grupo, com data, local, intenções e compromissos deste momento de preparação e coroação do Grupo.
  5. Criar uma coroa viva: cada homem escolhe uma virtude e um ato concreto de heroísmo para viver diariamente. Estará no material oferecido para a preparação da Coroação do Grupo. Livrinho Setenário de Coroação, encontra-se na Secretaria Nacional.

6) Plano Anual de Formação/Espiritualidade (12 encontros) 

A Secretaria Nacional oferece um tema por mês, a cada dia 18,  para contribuir na formação e animação espiritual dos homens do Terço. Os temas serão desenvolvidos no canal do YouTube e disponibilizado para os homens do Terço. Os coordenadores promovem nos seus grupos para que todos possam aceder ao conteúdo. Durante as semanas do respectivo mês, o coordenador pode fazer menção do conteúdo em algum momento da oração do Terço semanal.

A. Ciclo de formação mensal (todo dia 18 do mês) Preparação para os 30 Anos do Movimento do Terço dos Homens Mãe Rainha – Jubileu de Pérola

Ano de 2026

  1. 18/Jan — Lema: Em diálogo com a vida, Herói hoje!; Ap 2,10; projeto pessoal. 
  2. 18/Fev — Aliança de Amor: filiação, confiança, Capital de Graças. 
  3. 18/Mar — Fidelidade à Missa: Eucaristia como fonte e cume. 
  4. 18/Abr — Terço que educa: meditar a vida nos mistérios. 
  5. 18/Mai — Maria Rainha: obediência, pureza, serviço. 
  6. 18/Jun — Família e paternidade: diálogo, oração, perdão. 
  7. 18/Jul — Trabalho e ética: honestidade e justiça. 
  8. 18/Ago — Missão e Imagem Peregrina: visitas, lares, ruas. 
  9. 18/Set — Unidade na fonte: simplicidade, perseverança,comunhão
  10. 18/Out — Santidade cotidiana: pequenas vitórias (heróicas). 
  11. 18/Nov — Caridade organizada: serviço paroquial e social. 
  12. 18/Dez — Revisão de vida e celebração: frutos e gratidão.

Ano de 2027

  • 18/Jan — Chamados à Unidade: Como viver a comunhão no grupo e na Igreja, evitando divisões e fortalecendo vínculos fraternos.
  • 18/Fev — Maria, Educadora de Líderes: A importância da humildade e do serviço na liderança dos grupos do Terço.
  • 18/Mar — Fidelidade à Missa e ao Terço: A Eucaristia como fonte e cume da vida cristã e a oração do terço como caminho de santidade.
  • 18/Abr — Santidade na Vida Diária: Pequenos heroísmos cotidianos que transformam o homem comum em discípulo missionário.
  • 18/Mai — Apostolado Mariano: Como levar a Mãe Rainha às famílias e comunidades através da Imagem Peregrina e do testemunho. Cada homem do Terço ter uma imagem da Mãe Rainha em casa.
  • 18/Jun — Formação Humana e Cristã: Virtudes essenciais para o homem do terço: honestidade, justiça, pureza e caridade.
  • 18/Jul — Oração que Educa: Como rezar o terço de forma viva, meditando os mistérios à luz da vida concreta.
  • 18/Ago — Serviço na Igreja: Inserção paroquial e diocesana do movimento, colaboração com pastorais e missão comunitária.
  • 18/Set — Unidade Nacional: Símbolos que nos unem (Manual, imagem oficial, camisa/camiseta) e o sentido de pertencer à mesma família espiritual.
  • 18/Out — Maria, Rainha da Família: Como fortalecer o matrimônio e a vida familiar através da oração e do exemplo.
  • 18/Nov — Liderança Cristã: Evitando a luta pelo poder e a vaidade; liderança como serviço e não como projeção pessoal.
  • 18/Dez — Espiritualidade Masculina: Como o terço resgata a presença do homem na Igreja.

7) Para se ter em vista no Biênio

  1. Materiais 
  2. Logotipo oficial do Terço dos Homens Mãe Rainha nos materiais/banners, nos cards. materiais dos encontros,  dos retiros.
  3. Imagem Oficial do Grupo do Terço dos Homens Mãe Rainha
  4. Livros: Manual Oficial do Terço, Livro  60 Perguntas – “Orientações Gerais e Pastorais para o Terço dos Homens, Consagração à Nossa Senhora dos Homens do Terço, Livrinho Coroação da Imagem Oficial Mãe Rainha no Grupo do Terço dos Homens.
  5. Bandeira, Terços, velas, cartazes/banners do lema, etc.
  6. Livro Herói Hoje e não amanhã. Sobre o Venerável João Luiz Pozzobon. Livro Vivendo em Aliança.

11) Encerramento: “Herói hoje!” 

Ser “herói hoje” não é barulho nem fama; é fidelidade nas pequenas coisas, amor que serve, oração que sustenta, Missa que alimenta e missão que transforma. 
Com Maria, nossa Mãe e Rainha, tudo é possível — unidadeespiritualidade e serviço florescem. Ap 2,10 nos garante: a coroa da vida é promessa para quem persevera. 

O venerável João Luiz Pozzobon, através do Terço, transformou a sua realidade,    de seu família, de sua localidade, de sua diocese e foi influenciador mundo afora. Foi um  exemplo de herói nas pequenas coisas.

O que significa Encontro, Congresso, Assembleia, etc, no Terço dos Homens?

O que é Encontro, Assembleia, Congresso, etc.

A Secretaria Nacional do Terço dos Homens Mãe Rainha, com o objetivo de promover a correta compreensão e o uso dos termos adotados pela Igreja, bem como auxiliar os Coordenadores do Terço dos Homens na correta nomeação das atividades promovidas ao longo do ano, apresenta a seguir a definição de cada conceito: Encontro, Reunião, Congresso, Assembleia, Retiro, Peregrinação/Romaria. Todos estes acontecimentos, por tratarem-se de atos eclesiais começam e terminam com o Sinal da Cruz.

  1. Encontro

Evento que reúne pessoas com o propósito de partilhar ideias, experiências e espiritualidade, promovendo a comunhão e o fortalecimento da vivência de fé.
O termo “Encontro” abrange dois momentos principais:

  1. Encontro Semanal do Terço dos Homens: momento fixado semanalmente para a oração comunitária do Terço, promovendo a perseverança e o fortalecimento na fé. Ver o Ritual do Terço no Manual Oficial do Terço dos Homens Mãe Rainha.
  2. Encontro Diocesano do Terço dos Homens: refere-se aos Encontros realizados, geralmente de forma semestral ou anual, reunindo todos os homens do Terço para um período de meio dia ou um dia inteiro de atividades.

Normalmente, o Encontro Diocesano é composto por:

  • Palestras de espiritualidade da Mae Rainha que motivam os homens a viver a fé no dia a dia, na família e no trabalho.
  • Recitação do Terço, segundo o Manual Oficial, razão fundamental do Encontro e expressão de pertença e apoio mútuo na oração.
  • Cantos marianos, momento de unidade e louvor comunitário.
  • Testemunhos de fé, que evidenciam as transformações na vida cristã.
  • Santa Missa, centro celebrativo da fé, geralmente presidida pelo Bispo Diocesano, Assistente Espiritual ou Assessor Sacerdotal.
  • Refeição partilhada, momento de convivência fraterna e integração entre os participantes.

2. Reunião

Uma reunião é o encontro formal de duas ou mais pessoas, realizado com o objetivo de discutir determinado assunto, tomar decisões, compartilhar informações ou coordenar ações específicas. Envolve, normalmente a definição de uma pauta e contribui para o alinhamento de objetivos, planejamento, resolução de problemas.

No contexto do Terço dos Homens as reuniões são realizadas pelos membros das coordenações – seja do grupo local, setorial/decanal/foraneos, etc., diocesano ou regional.

  • Congresso

O Congresso é um evento que reúne um grupo mais reduzidos de pessoas especializadas, ou interessadas em um tema proposto pelos organizadores do Congresso. Algumas vezes os organizadores definem critérios de participação.

Costuma ter duração de dois ou mais dias e envolve conferências, mesas-redondas, oficinas e apresentação de trabalhos de cunho científicos. Os expositores são especializados nos temas a serem tratados. É um espaço de estudo e aprofundamento, geralmente com a participação de representantes de várias regiões, resultando num documento final. No final do Congresso se concede diplomas aos participantes.

  • Assembleia

A Assembleia é uma reunião formal de pessoas devidamente convidadas para discutir, avaliar e apresentar possíveis deliberações sobre pautas de interesse comum à uma instancia superior.

No Terço dos Homens, é o espaço onde a coordenadores e lideranças  tratam de temas administrativos e pastorais, planejam atividades e deliberam encaminhamentos. Também  pode incluir processos de escolha ou indicação de novos coordenadores. Normalmente ocorrem Assembleias Diocesanas e Regionais.

  • Retiro

O Retiro é um tempo de afastamento das atividades cotidianas, dedicado à oração, ao silêncio, à escuta da Palavra de Deus e à reflexão pessoal e comunitária.

Trata-se de um espaço privilegiado para o fortalecimento interior, a renovação espiritual e o aprofundamento da vida cristã.
Geralmente realizado em ambientes favoráveis ao recolhimento,

O retiro oferece aos membros do Terço dos Homens a oportunidade de renovar seu compromisso com a fé e encontrar forças para enfrentar os desafios do dia a dia.

  • Romaria/Peregrinação

A Romaria ou Peregrinação é o deslocamento de indivíduos ou grupos a locais sagrados com finalidade devocional.

É a caminhada dos membros do Terço dos Homens a santuários, igrejas ou outros lugares de fé, vivida como expressão de devoção mariana, oração e fraternidade.
Seu propósito é fortalecer os laços do grupo, aprofundar a fé e testemunhar publicamente a missão evangelizadora e a unidade do movimento.

Elaborado pela Secretaria Nacional do Terço dos Homens Mãe Rainha.

18/11/2025

Terço dos Homens Mãe Rainha construindo moradia aos que necessitam.

TERÇO DOS HOMENS MÃE RAINHA – THMR – “PROJETO REALIZANDO SONHOS”: FÉ E SOLIDARIEDADE NA CONSTRUÇÃO DE MORADIA – UBAJARA – CEARÁ

“Neste final de semana, o Terço dos Homens Mãe Rainha (THMR) protagonizou mais um capítulo emocionante do projeto “Realizando Sonhos”, no município de Ubajara, especificamente na comunidade Sítio Azedo. A ação, marcada por união, fé e generosidade, reuniu homens das comunidades de Laranjeiras, Buriti, Ubajara e Tianguá, todos com um objetivo em comum: colocar a fé em prática construindo moradias dignas para famílias em situação de vulnerabilidade.

O projeto é formado por voluntários que, além de devotos, são pedreiros, serventes, ajudantes e trabalhadores de diversas áreas que oferecem o que têm de melhor: suas mãos e seus corações. A bandeira do grupo, com os dizeres “Obras – Realizando Sonhos”, não é apenas simbólica. Ela representa o verdadeiro espírito cristão de serviço e amor ao próximo.

Durante o dia de trabalho, tijolos viram esperança, cimento se transforma em dignidade, e cada gesto reforça que a fé, quando aliada à ação, pode transformar realidades. Além da construção, o momento também é de partilha e fraternidade entre os membros das comunidades, fortalecendo laços de amizade e espiritualidade.

O projeto “Realizando Sonhos” é uma expressão viva do evangelho: homens comuns que se tornam instrumentos de Deus na vida do outro. É o Terço dos Homens indo além das orações e se tornando alicerce de novas histórias e novos começos.” Nos relatou o Sr. Francisco Cavalcante.

A Cruz do Terço dos Homens

A Cruz da Unidade, feita pelo Pe. Angel Vicente Cerró, em Santa Maria, RGS, Brasil, no ano de 1960, inspirado numa cruz da abadia de Maria Laach, Alemanha, expressa a espiritualidade Cristologica e Mariana do Movimento da Mãe Rainha (Movimento Apostólico de Schoenstatt.

Hoje, a Cruz da Unidade faz parte dos simbolos como patrimonio da Igreja. Todos os Papas, desde Paulo VI, tem recebido a Cruz da Unidade como presente, e alguns tem tido um carinho muito expecial, como por exemplo o Papa Francisco.

O Terço dos Homens no Brasil que nasce no ano de 1997, em Pernambuco, traz consigo a espiritualidade da Mãe Rainha, pois nasce dentro dessa espiritualidade. O movimento do Terço dos Homens assume esta cruz, como simbolo da Consagração à Nossa Senhora, através da Aliança de Amor com Maria, como Mãe e Rainha.

Rituais para o Terço dos Homens Mãe Rainha

Abaixo estão os Rituais para fazer Download

Missa Gregoriana

O que é?

Onde solicitar? (clique aqui)

É a forma que o Sacerdote celebra 30 missas consecutivas pela intenção de uma única alma. O sacerdote se compromete com a Família que solicitou a Missa Gregoriana estar rezando diariamente a Santa Missa pela pessoa falecida. Por ser 30 missas consecutivas, as vezes, é difícil encontrar sacerdotes que possam realizar as Missas Gregorianas. Normalmente os sacerdotes que tem a cargo uma paróquia, dificilmente assumirá este compromisso, tendo em vista que o mesmo já tem os compromissos das celebrações e intenções das respectivas comunidades: paroquial e capelas. Neste caso busca-se sacerdotes que tem outros trabalhos dentro da Igreja como por exemplo, padres formadores, padres que tem um determinado trabalho que lhe possibilite assumir este compromisso diário. Pode entrar em contato direto via whatts para maiores informações (11) 98773-3618.

Manual do Terço dos Homens

O Terço dos Homens tem uma mística própria, poderíamos dizer, uma pequena Liturgia. Cada vez que os homens se encontra para a recitação do Terço acontece essa liturgia. Logo, o Terço dos Homens não é somente rezar o terço, como encima muitos manuais. O movimento do Terço dos Homens tem algo a mais para oferecer. É a mistica. Essa mistica compreende esta pequena liturgia, a qual encontra-se somente no Manual Oficial Terço dos Homens Mãe Rainha.

Muitos coordenadores, sem perceber a importância, copia algo que lhe interessa, descartando o restando da mística. Isso seria como se o padre, para celebrar a missa, abrisse o MISSAL e fizesse uma cópia das orações que somente a ele lhe interessa, e descarta o restante do Missal Romano. É atrofiar uma riqueza litúrgica.

Ademais, sob orientações de bispos, estes acentuaram a importância de um Manual do Terço, justamente para proporcionar as orações oficiais da Igreja para o Santo Terço, como também, servir como um pequeno livrinho de catequese para cada homem que frequenta o Grupo do Terço dos Homens. Pois o homem vai aprendendo as orações ao ler. Somente escutar, 95 % dos homens não aprende as orações. Sendo assim, destaca-se a importância de cada homem ter um Manual Oficial do Terço nas mãos.

Este livrinho recebeu o nome de Manual Oficial justamente para diferenciar dos livrinhos que tem nas livrarias religiosas que ensina a rezar o terço. Eles não contém a Mistica do Terço dos Homens, que é encontrado no Manual Oficial do Terço dos Homens Mãe Rainha.

Ajude a implementar novos Grupos do Terço dos Homens Mãe Rainha.

Entre em contato (whatts) com a Secretaria Nacional do Terço dos Homens para solicitar este Manual Oficial do Terço dos Homens. (81) 99842-1119 ou (11) 98773-3618.